Antes pensava que sonho legal eram aqueles estranhos. Mais bizarros melhor. Dos que causavam alvoroço aos outros quando contado. Hoje em dia apenas espero sonhar com um belo pedaço de carne. 

Aside

Tenho 35 anos. Finalmente tenho tudo o que desejei, um bom emprego, uma filha de 5 anos e uma mulher que amo. Mas todo dia acordo com saudade daquilo que não tive. Saudades de mim que já não sou. A verdade é que o futuro virou presente, quando meus anseios do passado são o futuro. Sou apenas um movimento em movimento, em uma assiduidade de ir para casa, sem se sentir em uma. É a ressaca de não ser nada. De amores não vividos, experiências não realizadas. Como George Bernanos falou, os homens são consumidos pelo tédio.

Standard

Afasto a janela do meu quarto para o som da cidade entrar. Estou faminto, insaciado e não há alimento que me baste. Mas vou lhe contar o que aconteceria naquela noite, onde tínhamos como amigo 2 garrafas de vinho.

No apartamento, você entra. Tranco a porta e a encaro. Você sabe o que queria. Silêncio. Grave. Empurro-a até o sofá e abro o zíper da sua calça sem cerimônia. Tudo isso para tirar sua calcinha encravada.

E naquele sofá coloco meu pau entre suas coxas quentes, enquanto vejo sua bunda e puxo seu cabelo. Eu diminuo e aumente o ritmo, faço insistir que aumente. Nisso levanto-a e levo para o quarto. Lá continuamos, e enquanto está por cima de mim, coloco meu dedo no ânus enquanto chupo seus peito. Faço você sentir alta. Sem medo. Sem pudores. Até nossos cheiros combinarem.

Nisso continuaríamos no banheiro, onde a apertaria contra a parede. E sairíamos de lá para começar tudo de novo, só que agora mais agressivo. Não deixaria sair de casa enquanto não sentisse mais as pernas.

Você sonharia com isso, pensaria no que poderia ter feito mais, vai dormir desejando mais. E eu negaria. Negaria enquanto pudesse. Até que em um encontro olharíamos como caçadores para sua presa. Atacaríamos. Faríamos de toda maneira, em toda oportunidade e intensidade. Iria aprender sobre meu eu profundo.

Falaria de joelhos: eu sou sua.

Enfiaria meu amor até o fundo dentro de você. Forte, forte, mais forte.

Até um dia parar.

Standard

Ela entrou sem cerimônia. Em um paradoxo me agarrou. Tal como em um amor de bordel. Ela estava com ganância de foder e com essa ganância curvou-se sobre meu corpo sussurrando “você é meu”. Com aquelas pernas a mostra do seu vestido, penso “ela não é assim”, mas ambos hoje estamos com fome.

– O que você quer?

– Quero você – diz ela com o batom vermelho, ou ao menos parecia, já que quase não estávamos com luz – E hoje irei lhe torturar porque você é o que me ama

Ela cai sobre mim com beijos e mordidas. Abrindo meu zíper e arrancando meus botões. Eu admiro essa insanidade, admiro essa vida.

Efêmero momento. A textura do seu tecido, seu cheiro, tudo está no ar. Ela me engole, suga toda minha angústia. Me ama como outrora nunca fizera.

– Sou sua, me abusa

Tudo era belo. Ou parecia ser.

Acordo suado. Procura-a ao meu lado da cama.

Tudo voou. Os que sentem vivem.

Standard