Tão louca quanto já fui

Sempre amei pernas. Todas as mulheres com as quais me relacionei tinham pernas torneadas. Para mim a força da mulher está nas pernas. E como essa mulher tinha lindas pernas. Contudo não uma mulher comum, se é que existem pessoas comuns, mas essa era insana. Ela amava tanto quanto uma viúva-negra ama seu cônjuge, como uma serpente e sua presa enroscada. Sempre atraindo homens, mas nunca indo até eles. Ela era um mau sinal, um perigo, entretanto o que não fazemos para fazer amor com uma mulher desse tipo?

Estava eu na sua casa, olhando-a brincar com suas pernas postas em cima da mesa enquanto bebo minha breja. Não conseguia tirar os olhos de suas pernas e ela sabia disso – na verdade ela sabia muito mais do que mim mesmo. Foi tirando sua calça e logo em seguida se aproximando de mim.

– Amo suas pernas – digo – Para mim a força da mulher está em suas pernas, seu poder.

-É? – diz ela – Foram elas que trouxeram você até mim.

Ela fala de amor. Submete os homens à sua vontade.

Encostamo-nos e levanto seu rosto e a beijo. Minhas mãos deslizam sobre seu corpo, tirando sua blusa, tocando seus seios suave e suas pernas e ela coloca suas forças nas unhas  e arranha minha nunca. Paro e a olho, com um desejo de tirar sua calcinha enfiada entre suas carnes. Ela sai correndo para seu quarto. Ela quer mesmo fazer. Obedeço.

Ela arranca minha camisa com sua boca, nos beijamos novamente, ela coloca sua boca no meu peito, em todo meu corpo.

Nos entregamos, deixando nossa marca na cama, naquele lençóis. Suando como homem e mulheres devem suar. Nosso cheiro exalado, nossos fluídos misturados, contrações involuntárias.

Amor, ódio, loucura, ela me empurra com suas pernas para fora da cama e caio. Não sabia ao certo que estava acontecendo, só ouvia-a dizer, na verdade berrar “desaparece, sai da minha casa, da minha vida!”.

Pego minhas roupas, como sempre mantenho o controle, contudo ela começa a gritar, cada vez mais alto, mesmo assim me visto com calma, sem discutir. Ignoro o que ela fala, agora só mantenho atenção em seu tom de voz, da energia que emanam do seu corpo. Escuto ela reclamar por não estar olhando para ela, e nem irei. Medo? Não, apenas não tomo decisões tomadas por impulsos, e do jeito que ela estava nada sairia bem.

-Então é assim? Nem para olhar pra mim? – ouço-a com voz de choro.

Continua a não discutir, até mesmo porque nem sei o motivo, apenas calmamente vou em direção da porta e a fecho-o quando saio.

Passaram-se quatro dias, continuei não sabendo o que tinha acontecido e nem era mais de meu jus ir atrás do por que, contudo meu telefone toca.

– Não sei bem o que falar, é a primeira vez que ligo para alguém com quem fui para cama, é algo novo para mim – disse ela. Depois de uma pausa pequena retorna o pensamento – Normalmente os homens perguntam o que fizeram de errado, eles ficam desesperados… Eu gostaria de pedir desculpas. Eu me senti um lixo naquele diz, você me fez parecer um lixo. Preciso te ver mais uma vez, recuperar o que você me roubou. Você vem me ver?

– É somente isso que tem a falar?

– Sim. Você vem?

– Disse naquele dia que suas pernas me trouxeram até você, pois dessa vez use-as para vim até mim.

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