Crer

Constante, insaciável, o mundo é impiedoso. Como crer nele? As pessoas que andam sempre sem se preocupar por esbarrar no próximo, todos com seus problemas diários, o movimento continuo urbano. Crer que uma pessoa lhe abraçara e dirá as seguintes palavras: “como é bom estarmos conectados, sentindo a respiração um do outro, apesar de todo essa agitação”. Acreditar que um dia essas imagens e memórias que tanto nos assombram sairão, ou talvez não. O esquecimento que desejo e detesto. Crer em outra vida que fico imaginando. Ninguém quer ser egoísta, mas todos são. Temer o filho que terei, e saber que o teu não irei conhecer. Saber que meu nome será o peso de outro. As palavras de amor que prometemos, mesmo descobrindo que a promessa é desnecessária.

Crer que não tenho medo, não, fingir que não tenho medo. Sou o que surgiu há pouco e desaparecerá logo. Mas nada disso importa, pois ouço e olho com um pequeno sorriso. Basta crer.

 

 

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