O travesseiro

As nossas quimeras são o que se parecem mais conosco.
– Victor Hugo

 

mais um cochilo
mais um sonho
imaginem se pudessem extrair
toda informação de seu travesseiro

já fui herói
já provei todas as mulheres
saberiam que já amei
já salvei o mundo
já enfrentei minhas quimeras
já corri de palhaços
já nasci de novo

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O Eu perdido

Bem, todos morrem um dia, é simples matemática. Nada de novo. A espera é que é um problema.
– Charles Bukowski

 
Noite fria, estava numa praça, sem ninguém, sentado com meus pensamentos. Turbilhões de pensamentos. O ódio inflava. Não tinha dormido bem, tinha demorado para digerir, e agora minha barriga estava sempre em dor.
Estava farto das indecisões femininas, da covardia que já vi por muitas vezes. Ao olhos de outros era louco, queria tentar, mas não houve tentativa.
Esperava mais de mim, esperava compreender suas neuras, esperava sua sinceridade, esperava seu beijo antes de dormir, talvez deixei algumas coisas passarem.Eu te esperava, e esperei, mas não houve resposta. Mas o que eu esperava? Elas nunca sabem o que querem, desperdiçam chances de um futuro.
Agora queria provar o gosto de tudo, viver, não me esforçar tanto, porém quem estou enganado, nisso tudo, um eu foi perdido. O Eu dá inocência, da paciência, da mais pura afeição.
Hoje é meu marco zero ,envelhecendo anos em um dia, olhando o passado com afeição e encarando o futuro com ardor.
Aqueles meses juntos, apesar de todas dificuldades foram uma época feliz, triste em saber que talvez fosse uma ilusão.
Irei te esperar e procurar meu eu perdido.

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Diário

– Não está morto o que eternamente jaz inanimado, e em estranhas realidades até a morte pode morrer
H. P. Lovecraft

 

Bem, acabei fazendo meio na pressa esse, na próxima faço algo melhor. Abraços.

Eu desejei, ansiei com ardor, queria mais poder. Engraçado que os poderosos sempre anseiam amealhar mais poder, queria ser um deles. Tinha cobiça por saber. Mexi em coisas que não devia, desgraça caia sobre mim no dia que tentei aquilo.

Eram meia-noite, tinha que ser nesse horário. Peguei o livro, o qual tive muito trabalho de possuir em mãos,  abri na página do ritual – Deus, se existe saiba que me arrependo pelo que fiz.

Não lembro exatamente o que aconteceu, porque um clarão veio a minha visão e minha mente, mas lembro como ficou meu servo, pobre dele e de todos no bairro,  nenhum sobreviveu, suas vidas foram consumidas.

Soltei criaturas pelo mundo, criaturas que nem sei o que são. Deixo esse diário para gerações futuras, para aqueles que desejam algo demais, tomem cuidado.


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Criatura da noite

– Those who dream by day are cognizant of many things which escape those who dream only by night
Edgar Allan Poe

 

Já era tarde quando Jean voltou do trabalho, tinha sido um dia corrido.  Estava cansado, ficou no sofá vendo filmes, uma vez e outra fechava os olhos e tirava um pequeno cochilo. Em um desses cochilos, acordou assustado, tudo estava escuro.
Devia ser mais de meia-noite, sentiu uma sensação gélida na espinha, nunca tinha experimentado essa sensação. Foi para o interruptor, nenhuma luz acendia. No seu âmago sentiu um medo que não podia explicar, se virou, e lá estava dois olhos vermelhos, foi a última coisa que viu.

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